Terra da Gente busca 'aves fantasmas' em MG e encontra o 'tubarão de água doce'
03/04/2026
(Foto: Reprodução) Neste sábado (4), o Terra da Gente atravessa pontes que conectam regiões, pessoas e histórias. Nosso destino? O Triângulo Mineiro, região que, no período colonial, já pertenceu a Goiás. Esse cantinho, que hoje faz parte de Minas Gerais, tem como principais cidades Uberlândia, Araguari e Uberaba. E é justamente na zona rural de Uberaba que começa a nossa aventura.
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A missão é encontrar as “aves fantasmas”. Discretas e difíceis de observar, principalmente durante o dia, elas permanecem imóveis e camufladas nos campos sujos com murunduns, pequenos morros de terra espalhados pela vegetação.
Campos sujos com murunduns são caracterizados por arbustos, ervas baixas e pequenas palmeiras próximas ao solo
Jefferson Souza e José Ferreira
A área costuma ficar alagada, com água que pode chegar até o joelho. O ambiente é marcado por arbustos, ervas baixas e pequenas palmeiras próximas ao solo.
Entre tantos animais que vivem ali, nossa atenção se volta para duas aves encontradas somente nessa região: o curiango-do-banhado (Hydropsalis anomala) e o bacurau-de-rabo-branco (Hydropsalis candicans).
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A equipe encara a escuridão em busca de qualquer movimento. Atentos, captamos algo que parecia invisível: o curiango-do-banhado. Do tamanho de um pão francês, esse animal se destaca pelos grandes olhos.
Curiango-do-banhado (Hydropsalis anomala)
Jefferson Souza e José Ferreira
Seguimos em frente, porque a tarefa ainda não havia terminado. O suspense toma conta da noite, até que, finalmente, as lentes do Terra da Gente encontram o macho de um dos bacuraus mais raros do Brasil: o bacurau-de-rabo-branco.
Ele mede cerca de 20 centímetros e tem olhos adaptados para enxergar no escuro. Apresenta cauda branca e, em vez de usar o canto, utiliza o contraste dessa parte do corpo para se comunicar no breu. No rosto, possui pequenas cerdas que lembram bigodes, além do bico fino e da boca larga.
Move-se principalmente para caçar, capturando mariposas e besouros em voos baixos e rápidos.
O Terra da Gente encontra o macho de um dos bacuraus mais raros do Brasil: o bacurau-de-rabo-branco (Hydropsalis candicans)
Jefferson Souza e José Ferreira
Diferente de outros bacuraus, o bacurau-de-rabo-branco não consegue sobreviver em áreas degradadas. Essa ave depende diretamente desse tipo de paisagem para continuar existindo.
Esses campos naturais são importantes para a conservação da biodiversidade e precisam ser protegidos.
“Tubarão de água doce”
O Terra da Gente continua sua jornada pelo Brasil Central, nas margens do Rio das Mortes, onde as águas correm mansas e a vida pulsa por todos os lados.
O Terra da Gente continua sua jornada pelo Brasil Central, nas margens do Rio das Mortes
Márcio de Campos
No segundo episódio da série, a equipe navega rio adentro com a expectativa de encontrar o maior bagre da América do Sul: a piraíba, um peixe migratório que percorre longas distâncias pelos cursos d'água.
O Projeto Peixara monitora esses animais na bacia do Rio Araguaia com a ajuda de guias de pesca. Mais de 100 piraíbas já foram marcadas com radiotransmissores, passando a ser acompanhadas pelos pesquisadores.
Mais de 100 piraíbas já foram marcadas com radiotransmissores, passando a ser acompanhadas pelos pesquisadores
Márcio de Campos
As descobertas impressionam. Recentemente, foi registrado um novo recorde: uma piraíba marcada percorreu 890 quilômetros, um percurso um pouco maior do que o trajeto entre Campinas e Goiânia. Ou seja, o peixe que estamos esperando pode estar vindo de muito longe.
Para aumentar as chances de fisgar o animal, é lançada uma linha com cerca de 300 metros, uma estratégia para que ele não desconfie da isca. E, quando finalmente morde o anzol, a piraíba mostra toda a sua força. Com esforço e paciência, o time consegue trazê-la até o barco.
Diante de nós está um verdadeiro gigante do Rio das Mortes: um peixe com aproximadamente 20 quilos, corpo prateado e aparência que rendeu a ele o apelido de tubarão de água doce.
Diante de nós está um verdadeiro gigante do Rio das Mortes: a Piraíba
Márcio de Campos
Em meio a tanta biodiversidade, fica claro que pescar também é fazer amizades, ouvir histórias e criar memórias.
E a nossa expedição por essas águas, no coração do Brasil, continua.
Hora do Rancho
No quadro Hora do Rancho, voltamos a Paraguaçu, no Sul de Minas Gerais, para mais uma receita feita com marolo, mas desta vez para preparar um prato doce.
O repórter Giuliano Tamura, acompanhado novamente da confeiteira Caroline Moraes, ensina o passo a passo da deliciosa torta de chocolate com marolo e pipoca caramelizada.
Aprenda passo a passo da deliciosa torta de chocolate com marolo e pipoca caramelizada
Jefferson Souza
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