O que explica tantos acidentes na John Boyd Dunlop? Professores da Unicamp percorrem via de Campinas e apontam problemas
23/02/2026
(Foto: Reprodução) Avenida Jonh Boyd Dunlop lidera como via com mais acidentes fatais em Campinas
Que a Avenida John Boyd Dunlop lidera o ranking de acidentes em Campinas (SP) não é novidade. Em 2025, ela ficou em primeiro lugar na lista pelo sexto ano consecutivo, segundo a plataforma Infosiga, do Detran-SP. Mas o que acontece ao longo dos 15 quilômetros da via?
👷🏼👷🏼Para responder a essa pergunta, dois professores da Unicamp percorreram a avenida, a convite da equipe de reportagem da EPTV, afiliada da TV Globo, para analisar, na prática, o comportamento dos motoristas e as condições da via.
A conclusão: o principal fator de risco é o excesso de velocidade fora dos pontos com fiscalização eletrônica. Além dele, o grande número de cruzamentos ao longo da avenida contribui para o aumento dos conflitos entre veículos, motos e pedestres.
'Repique de velocidade'
Av. John Boyd Dunlop
Estevão Mamédio/g1
Segundo o professor Creso de Franco Peixoto, cerca de 10% dos veículos circulavam acima do limite permitido de 50 km/h durante o monitoramento feito nesta semana. Em alguns trechos, a média de velocidade antes dos radares chegou a 70 km/h.
"Antes e depois do radar, tem uma tendência a ter velocidades maiores. No radar, ele fica bonzinho, bonitinho, né? E depois do radar, ele volta a acelerar", explicou o professor, ao descrever o que chamou de “repique de velocidade”.
O professor Luciano Aparecido Barbosa, especialista em transporte, destacou que ultrapassar o limite pode ter consequências graves. Segundo ele, colisões acima de 50 km/h têm potencial de se tornar fatais em mais de 90% dos casos, principalmente quando envolvem pedestres e motociclistas.
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Muitos cruzamentos
Professores da Unicamp trafegam por Avenida John Boyd Dunlop e analisam motivos de acidentes
Reprodução/EPTV
A John Boyd Dunlop é a avenida mais longa de Campinas, com 15 quilômetros de extensão e cerca de 60 mil veículos por dia. Desde 2019, quando o sistema InfoSiga passou a contabilizar também acidentes não fatais, a via aparece no topo do ranking municipal.
Para os especialistas, além do comportamento dos condutores, o grande número de cruzamentos ao longo da avenida contribui para o aumento dos conflitos entre veículos, motos e pedestres.
🚦Apesar disso, os professores avaliaram que a via possui sinalização adequada e quantidade mínima necessária de radares. O problema, segundo eles, está menos na estrutura e mais na forma como parte dos motoristas conduz.
A opinião dos especialistas é corroborada por grande parte dos condutores que circulam pela via.O autônomo Silmar Mendonça atribui os acidentes à imprudência e ao trânsito carregado nos horários de pico.
“Além da dificuldade do trânsito, que já é pesado, tem a forma como as pessoas conduzem. Isso contribui bastante”, afirmou.
Já o motorista Marcos Adriano destaca o desrespeito à sinalização. “O pessoal só vai, ninguém para. O semáforo abre e parece que todo mundo quer passar primeiro”, disse.
Ranking de acidentes
Desde 2019, quando o sistema passou a contabilizar também os acidentes não fatais, a via ocupa o primeiro lugar. Nesse período, já foram registradas 460 ocorrências. Veja o número de acidentes em cada ano, abaixo:
2019 - 69
2020 - 69
2021 - 83
2022 - 61
2023 - 44
2024 - 78
2025 - 56
De acordo com a Emdec, John Boyd Dunlop sempre está entre as vias que mais registram acidentes devido à sua extensão, já que é a maior avenida de Campinas, com 15 km de extensão e 47 cruzamentos.
A empresa também afirma que o fluxo de veículos no trecho aumentou após a implementação dos Corredores BRT.
Apenas em 2025, a John Boyd Dunlop registrou 56 acidentes de trânsito. As avenidas José de Souza Campos (a Norte-Sul) e das Amoreiras também apresentaram um saldo expressivo — confira o ranking completo abaixo.
Avenida John Boyd Dunlop - 56 acidentes
Avenida José de Sousa Campinas (Avenida Norte-Sul) - 40 acidentes
Avenida das Amoreiras - 34 acidentes
Avenida Ruy Rodrigues - 31 acidentes
Avenida Orosimbo Maia - 30 acidentes
Com 15 quilômetros de extensão e 47 cruzamentos, segundo a Emdec, a John Boyd concentra diariamente pouco mais de 58 mil veículos.
O que diz a Emdec
Em nota, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) afirmou que a permanência da John Boyd entre as vias com mais registros de acidentes está relacionada à extensão da avenida e aos 47 cruzamentos existentes ao longo do trajeto, além do alto fluxo de veículos, intensificado após a implantação dos corredores do BRT.
A empresa informou ainda que tem realizado intervenções de geometria em pontos críticos e remanejado radares. Segundo a Emdec, não houve mortes em um raio de 100 metros dos novos equipamentos de fiscalização — antes da instalação, foram registrados cinco óbitos nesses locais.
De acordo com o órgão, houve redução de 24% nos acidentes com vítimas e de 62% nos sinistros sem vítimas. A Emdec também afirma que os atropelamentos na via foram zerados.
Ainda conforme a Emdec, há ações em andamento para reduzir o número de mortes na Avenida John Boyd Dunlop, incluindo obras de geometria para corrigir pontos críticos e o remanejamento de radares.
Mais acidentes, mas menos mortes
O trânsito de Campinas registrou aumento nos acidentes em janeiro. Segundo o Infosiga, foram 177 ocorrências tanto na malha urbana quanto em rodovias, alta de 14,9% em relação ao mesmo período do ano anterior (154).
Mas, embora as ocorrências tenham crescido, o número de óbitos em acidentes de trânsito caiu na cidade. Foram seis, o menor número para janeiro desde 2021, quando o Infosiga contabilizou quatro mortes.
📊 Mortes no trânsito de Campinas em janeiro
2026: 6
2025: 13
2024: 9
2023: 9
2022: 7
2021: 4
De acordo com o Infosiga, em relação aos acidentes no primeiro mês de 2026, o maior número de vítimas estava em motocicletas (124), seguido por automóveis (121). Isso representa uma inversão ao registrado no mesmo mês do ano anterior: 101 vítimas em carros, e 97 em motos.
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