O fim das águas? Pantanal sofre a maior alteração em 40 anos e pode mudar sua paisagem

  • 19/02/2026
(Foto: Reprodução)
Pantanal em perigo: bioma que mais esquentou em 40 anos pode deixar de ser alagável O Pantanal foi o bioma brasileiro que registrou o maior aumento de temperatura nos últimos 40 anos, com um acréscimo de 1,9°C na média. Além do calor, as chuvas também diminuíram, com índices pluviométricos indicando uma queda de 10 mm em um período de 45 anos. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp Os dados têm como base análises do MapBiomas Atmosfera, do ERA5 (Serviço de Mudança Climática Copernicus) e um estudo publicado na revista científica Atmosphere por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp). A pesquisa avaliou as tendências de temperatura e precipitação de 1979 a 2024, evidenciando que o Pantanal tem sido um dos ecossistemas com maior aquecimento e seca no Brasil. Já os levantamentos do MapBiomas indicam que a região perdeu grande parte de sua superfície de água nas últimas quatro décadas (entre 1985 e 2024), com redução expressiva das áreas alagadas em relação à média histórica. Pantanal em perigo: bioma que mais esquentou em 40 anos pode deixar de ser alagável. Marcella Montenegro/ Wikimedia Commons e silvioassuncao/ Fickr Veja mais do Terra da Gente: MAR EM ALERTA: Fenômeno invisível afeta audição de peixes e ameaça a vida marinha no Brasil e no mundo ESTRELA-FLOR E PORCO-DO-MAR: Seres desconhecidos são achados a 4 mil metros no oceano VIKINGS TINHAM RAZÃO: Veja o lado verde (e oculto) da Groenlândia que surpreende turistas e expõe riscos Os dados mostram períodos de seca mais longos, cheias mais curtas e menor permanência de água nas planícies. Esse cenário altera o pulso natural de inundação — característica essencial que sustenta a biodiversidade local. O pulso de inundação é o principal motor de produtividade e ciclagem de nutrientes, conectando os ecossistemas aquáticos e terrestres por meio de cheias que podem durar meses e das quais o bioma pantaneiro depende para sobreviver. Alerta: Pantanal é o bioma que mais esquentou em 40 anos. Wolves201/ Wikimedia Commons O que ocorre Quando o rio transborda, os nutrientes são levados para a planície, onde são transformados em matéria orgânica por diferentes organismos, sustentando cadeias alimentares terrestres e aquáticas. Essa alternância entre seca e cheia permite trocas constantes de energia, tornando o sistema altamente produtivo. Assim, a dinâmica natural entre rio e planície é a principal responsável pelo equilíbrio ecológico, enquanto o próprio canal do rio serve como rota de migração e refúgio para as espécies durante o período de águas baixas. “A redução das chuvas atrasa e encurta o pulso de inundação, fazendo com que os rios demorem mais para transbordar e reduzindo o tempo e a extensão da lâmina d'água. Para a biodiversidade, isso isola baías e vazantes, reduzindo a oferta de alimento para aves e mamíferos aquáticos, além de transformar áreas úmidas em depósitos de matéria orgânica seca que facilita incêndios”, afirma Eduardo Reis Rosa, engenheiro agrônomo e coordenador da equipe Mata Atlântica e Pantanal do MapBiomas. Seca extrema: Pantanal pode deixar de ser uma área alagável. Marcella Montenegro/ Wikimedia Commons Essa alteração está associada tanto ao avanço das mudanças climáticas — que modificam padrões de circulação atmosférica — quanto a transformações no uso da terra. Trata-se de uma causa multifatorial, uma somatória de fenômenos globais e ações humanas locais. O engenheiro explica que as alterações climáticas na Bacia do Alto Paraguai (BAP) resultam em chuvas insuficientes para "recarregar" o sistema pantaneiro. O desmatamento em outras regiões, predominantemente planálticas, também afeta bastante: aproximadamente 37% da vegetação nativa do planalto foi transformada em pastagens e agricultura. Isso reduz a infiltração de água no solo, diminui a recarga de aquíferos e aumenta o assoreamento dos rios por meio do escoamento superficial. A influência da Amazônia e do Cerrado Sem umidade da Amazônia, Pantanal sofre a maior alteração climática em 40 anos. silvioassuncao/ Fickr Segundo José Roberto Rozante, especialista em meteorologia e autor do estudo publicado na Atmosphere, o desmatamento na Amazônia e no Cerrado contribui diretamente para os problemas no Pantanal. A floresta amazônica ajuda a formar chuvas ao liberar uma grande quantidade de umidade para a atmosfera — fenômeno conhecido como "rios voadores" —, e o território pantaneiro é um dos que mais dependem dessa umidade. À medida que a Amazônia é desmatada, essa “fábrica de chuva” enfraquece. O especialista detalha o porquê de a região ser tão sensível: “Pequenas mudanças na quantidade de chuva ou na vazão dos rios já provocam grandes alterações na área que fica alagada. Diferente da Amazônia, que produz parte da própria umidade, o Pantanal depende da água que vem dos planaltos ao redor, especialmente do Cerrado”. Rozante explica ainda que o bioma está em uma zona de transição climática. Pequenas mudanças nos sistemas de chuva podem reduzir a precipitação e ampliar os efeitos da seca. “Se o aumento da temperatura e a redução das chuvas continuarem, o Pantanal pode aos poucos perder suas características de área alagável”, finaliza. Como o Cerrado abriga muitas nascentes que alimentam a Bacia do Alto Paraguai, o desmatamento nesse bioma altera o fluxo dos rios, desregulando as cheias. O engenheiro agrônomo Eduardo Reis Rosa completa: “Quando o Cerrado no planalto é ocupado por monoculturas e pastagens, o solo infiltra menos água da chuva, reduzindo a recarga dos lençóis freáticos que abastecem as nascentes dos rios do Pantanal, o que diminui a água que chega ao bioma”. Alerta extremo: estudo revela que Pantanal pode perder sua principal característica Filipefrazao/ Wikimedia Commons Soluções e mitigação Para reverter ou amenizar o problema, Eduardo elenca algumas estratégias principais: Restauração Hidrológica: Recuperação de nascentes e matas ciliares no planalto, que são essenciais para o aporte hídrico da planície. Conectividade Ecológica: Implementação de “corredores de natureza” para garantir o deslocamento da fauna, além de preservar áreas de reprodução e rotas de fuga em episódios de seca extrema ou incêndios. Manejo Sustentável do Solo: Uso de técnicas agrícolas que não desgastem tanto a terra, evitando que o solo solto vá para os rios e cause assoreamento. Rozante também pondera sobre a necessidade de redução na emissão dos gases de efeito estufa, um desafio generalizado do planeta que exige a contribuição de todos. Ele alerta para os riscos de longo prazo se nada for feito: “[Pode ocorrer] a perda gradual de áreas úmidas, substituição da vegetação típica por espécies mais adaptadas à seca, maior frequência de anos consecutivos secos. Esses fatores indicam risco de mudança estrutural do bioma, com possibilidade de o Pantanal se tornar progressivamente mais seco e menos resiliente”, alerta. Assim, apesar de o Pantanal ser considerado um dos biomas com maior rede de proteção, ele também é um dos que mais correm risco. Seu futuro dependerá da capacidade de conciliar conservação, uso responsável dos territórios e ações efetivas diante das mudanças climáticas. *Sob supervisão de Rodrigo Peronti. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/02/19/o-fim-das-aguas-pantanal-sofre-a-maior-alteracao-em-40-anos-e-pode-mudar-sua-paisagem.ghtml


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