Mãe que enfrentou infestação de piolhos em filhas gêmeas por 1 ano abre clínica especializada em tratamento
21/02/2026
(Foto: Reprodução) Infestação por piolhos: regiões de Campinas e Piracicaba têm aumento nos atendimentos
Tudo começou com um recadinho da professora. Nele, Ana Carolina de Moraes foi informada de que as filhas gêmeas, Letícia e Lívia, estavam enfrentando um problema conhecido por muitas mães: uma infestação de piolho. Naquele momento, ela não imaginava que o drama poderia virar negócio.
🔎 Piolho é o nome dado aos insetos parasitas adultos que se instalam no couro cabeludo humano, alimentando-se de sangue e depositando lêndeas (o ovo do piolho). É comum em crianças e idosos, e costuma causar coceira intensa no couro cabeludo.
A empresária de Campinas (SP) recorreu a todos os tratamentos possíveis: medicações, receitas caseiras, xampus de tratamento, pentes finos. Entretanto, por 1 ano e meio, nada foi eficiente para dizimar os parasitas dos cabelos das gêmeas.
"Eu me vi mudando toda a minha vida. O primeiro passo foi sair igual uma louca nas farmácias, procurando o pente de aço e os remédios. Eu não imaginava, fazia tempo que eu não ouvia falar do piolho e é um bichinho tão pequenininho que teve um impacto emocional na minha vida muito grande", relata a mãe.
O problema parecia insolucionável, até que a empresária encontrou uma clínica de Campinas especializada na remoção dos piolhos. Foi por meio desse serviço que ela conseguiu eliminar todos os parasitas da cabeça das gêmeas.
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O alívio foi tanto que Ana Carolina resolveu abrir um centro especializado nesse tipo de serviço. Além de suprir a lacuna que identificou no mercado, a mãe também pôde compartilhar a sua experiência e proporcionar acolhimento a outras famílias.
"Consegui através de um vídeo de uma influenciadora falando que a família inteira pegou. Eu fiquei 'meu deus, me identifico demais'. Eu quis saber como ela resolveu e fiquei lá no vídeo até o final. Ela tinha procurado uma clínica, e eu só consegui curar o problema quando eu levei elas a uma clínica. Através dessa dor, eu também tive a ideia de montar um espaço para acolher essas mães e ajudar o piolho e a lêndia que hoje tem aqui em Campinas", conta Ana Carolina.
Dificuldades no tratamento
Quando recebeu o recadinho da professora, a primeira coisa que Ana Carolina fez foi iniciar tratamentos caseiros sugeridos na farmácia. Assim que começou as terapias indicadas, achou que tudo estava resolvido. Alguns dias depois, os piolhos voltaram a aparecer.
"O problema não acaba como eu imaginava que iria acabar. Brotava piolho. Passava uma semana, eu fazia tudo de novo, mais uma semana que era sugerida, depois de sete dias, e fazia tudo de novo. O processo e não tinha fim e aí eu entrei em desespero", relatou.
Mãe que enfrentou infestação de piolhos em filhas gêmeas por 1 ano abre clínica especializada em tratamento
Reprodução/EPTV
'Será que eu não estou cuidando legal das minhas filhas?'
O estigma social e a frustração pelas tentativas falhas de eliminar o piolho causaram um impacto emocional na Ana Carolina. A mãe chegou a deixar as filhas faltarem no colégio, e se questionar sobre a maternidade.
"Veio a frustração. Um sentimento de impotência. Poxa, 'será que eu não estou cuidando legal das minhas filhas?'. O julgamento das outras pessoas. Teve dia que não mandei para a escola, porque eu pensava assim: 'será que é minhas filhas que estão contaminando toda a escola?'. Porque hoje em dia ainda tem um preconceito muito grande. Então, eu me sentia mal", relata a mãe.
Como pegamos piolho?
A médica Carla Stephan explica que estar com piolho não é um indicativo de má higiene pessoal — e nem está condicionado à classe social. Abraços, espaços lotados, apertos de mão e até passar a mão na cabeça podem fazer com que o parasita chegue ao couro cabeludo (e se multiplique).
"A contaminação é pelo contato. Posso pegar por 'cabeça por cabeça', levar a mão. E o piolho sobrevive por um tempo fora do nosso corpo por um período de até 48 horas. E como pega os adultos? Geralmente são os familiares, o contato domiciliar", explica.
Peguei piolho! E agora?
A palavra-chave para solucionar o problema é uma: a remoção. Por isso, a eliminação dos piolhos e das lêndeas exige bastante paciência, já que é necessário tirar um por um do cabelo.
"É uma aplicação [do xampu], deixa por um tempo de ação e lava depois. E depois, a remoção, que é o maior desafio. Piolho é o nome dado ao parasita adulto, então a gente consegue visualizar com muita facilidade, e o remédio vai agir ali. E tem a lêndea, que o ideal é a remoção manual com o uso do pente fino, e olhar com as mãos e as unhas", explica a médica Carla.
⏩ Em alguns casos, segundo a médica, esse tratamento caseiro não será o suficiente, e será preciso recorrer a outros tratamentos e a profissionais.
Aumento de casos na região de Campinas e Piracicaba
Ana Carolina não foi a única a ter que enfrentar os piolhos. Entre janeiro e novembro de 2025, as unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) registraram 170 atendimentos por pediculose, nome dado à infestação de piolho — confira o saldo completo, abaixo:
2024
140 casos e uma internação
2025*
170 casos e duas internações
*Os dados de dezembro de 2025 ainda não foram totalmente contabilizados.
Mãe que enfrentou infestação de piolhos em filhas gêmeas por 1 ano abre clínica especializada em tratamento
Reprodução/EPTV
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