Furtos a apartamentos crescem 12,9% em Campinas; exposição em redes sociais pode facilitar ação de criminosos
04/02/2026
(Foto: Reprodução) Furtos em apartamentos crescem 13% na cidade de Campinas em 2025
Os furtos a apartamentos aumentaram em 12,9% em Campinas (SP), segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP). Os dados mostram que número de crimes registrados saltou de 85 para 96 entre 2024 e 2025.
Com o aumento nas ocorrências, a especialista em segurança patrimonial Márcia Gomes explica que ter cautela com a exposição nas redes sociais pode ser uma medida de segurança para dificultar a ação dos criminosos.
"Os criminosos acabam se valendo da digitalização do crime. Então, eles podem monitorar moradores de condomínios. Eles acabam usando as redes sociais e usam a tecnologia para verificar a movimentação de determinado condomínio. [...] Tem pessoas que viajam e colocam lá na rede social: "Estou viajando". Mostram onde mora. As pessoas têm que evitar esse tipo de comportamento", orienta a profissional.
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🏡 O levantamento mostra que houve um aumento de furtos a imóveis residenciais de forma geral, incluindo nas casas, que representam a maioria dos registros. Ao todo, a cidade registrou 1.053 crimes deste gênero no ano passado — veja abaixo:
2024: 1.028
Casas: 924
Apartamentos: 104
2025: 1.053 (alta de 2,4%)
Casas: 940
Apartamentos: 113
Orientações de segurança
Para além da necessidade de ter cuidado com a exposição em redes sociais, Márcia Gomes ressalta que é importante que os profissionais de segurança dos condomínios estejam treinados, e que o próprio condomínio adote medidas de precaução.
Segundo a profissional, uma rotina de treinamentos que promovam a reciclagem dos colaboradores e simulações de invasão pode "minimizar a entrada dos criminosos".
Também é importante que o condomínio não tenha só um portão inicial, e mantenha uma segunda porta dentro do condomínio que evite que pessoas não autorizadas entrem nos prédios.
"Evitar de todo modo que o entregador ingresse dentro do condomínio. A pessoa tem que descer e retirar a sua entrega na portaria. Evitar sair em grupo da garagem, por exemplo, [para evitar que] saiam vários carros e o portão fique aberto por muito tempo. Porque os criminosos, eles estão atentos na movimentação. E quanto mais vulnerável eles perceberem que o condomínio esteja, vão se aproveitar dessa vulnerabilidade", conta a profissional.
Informações privilegiadas
Os registros de furtos a imóveis de 2026 já começaram. Em 17 de janeiro, um dos primeiros sábados do ano, Kristine teve o apartamento furtado durante uma saída com marido. O casal passou o dia fora, e quando retornaram, encontraram a porta arrombada e o imóvel todo revirado.
Segundo a vítima, os criminosos ligaram para a portaria do prédio e falaram se identificaram como o marido da Kristine, avisando que o filho dele ia entrar no condomínio acompanhado da nora. Os criminosos passaram nomes errados, e falaram que os invasores estavam com uma chave, e autorizaram a entrada.
"Como é que eles sabiam que a gente ia sair naquele momento? Como é que eles sabiam que a gente ia passar o dia fora? Como é que eles sabiam o nome do meu marido? Como é que eles sabiam que meu marido tem um filho? São informações muito privilegiadas", conta Kristine.
Furtos em apartamentos crescem 12,9% em Campinas; exposição em redes sociais pode facilitar ação dos criminosos
Acervo Pessoal
As câmeras de segurança registraram os criminosos chegando no edifício e saindo com objetos furtados em bolsas. Eles, inclusive, se vestiram com roupas das vítimas. Foram levadas joias, pertences pessoais, e um cofre da parede foi arrancado da parede.
"Eu, hoje, eu estou totalmente insegura. Tenho medo até de sair na rua. Estou extremamente passada. Você chegar em casa e ver sua casa de cabeça para baixo. Isso me atingiu profundamente, tanto a mim como o meu marido", desabafa a vítima.
Criminoso reincidente
O prédio onde Fábio vive foi invadido duas vezes. Na primeira, o criminoso pulou o muro do prédio, entrou na garagem e tentou roubar uma bicicleta. Ele foi impedido, mas suspeita é que ele seja responsável por uma segunda invasão, em que conseguiu levar uma escada e uma barraca em uma das garagens.
"Nós trocamos a cerca elétrica, aumentamos o número de câmeras e agora a gente está contratando portaria eletrônica também. Vamos ver se isso melhora. [...] A gente tem uma viela aqui que é uma rota de fuga do pessoal, né? Então, essa sensação de segurança sempre existiu. E quanto mais a gente investe em segurança, mais a nossa liberdade é tolhida, porque a gente que acaba ficando preso", relata.
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Reprodução/EPTV
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