Fim da escala 6x1: trabalhadores comemoram mais folgas, mas comércio e restaurantes temem impactos na região de Campinas

  • 15/10/2026
(Foto: Reprodução)
Senado aprova fim da escala 6x1; empresas terão 14 meses de adaptação A aprovação do fim da escala 6x1 pelo Senado Federal, na quarta-feira (14), dividiu opiniões na região de Campinas (SP). Enquanto trabalhadores comemoram a possibilidade de ter duas folgas por semana, representantes do comércio e de bares e restaurantes temem aumento de custos e dificuldades para adaptar as escalas. A proposta recebeu 75 votos favoráveis e um contrário. Como a Câmara dos Deputados já havia aprovado o mesmo texto, a medida segue para promulgação pelo Congresso Nacional. O texto prevê dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial, e diminuição gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais. Repercussão entre trabalhadores Trancista Yasmin Eloi vê redução da jornada de trabalho como positiva Reprodução/EPTV Para a trancista Yasmin Eloi, a mudança representa uma oportunidade de passar mais tempo com a família. "Nossa, eu achei incrível. Isso vai ajudar bastante, tanto os comerciários, funcionários, a poder ter uma folga a mais com a família, poder ter um momento mais de descanso", afirmou. A cozinheira Norberta Aparecida também comemorou. "Vai ter mais tempo para o lazer, para a família, para cuidar da pessoa em si, porque muitas vezes a gente não tem tempo nem de cuidar da gente." Já o técnico de manutenção Vinícius Gama teme que a mudança aumente a pressão sobre os funcionários. "Se mexe no bolso do empresário, então vai mexer no bolso do trabalhador. Vai vir uma cobrança maior para o trabalhador", disse. Segundo a presidente da Comissão de Direito do Trabalho da OAB Campinas, Franciele Aparecida Gurgel, as duas folgas podem melhorar a qualidade de vida e a saúde mental dos trabalhadores. "É muito tempo se dedicando para alguém, para um trabalho e pouco tempo para si", afirmou. Quando a mudança começa a valer? As novas regras não entram em vigor imediatamente. A proposta prevê um período de transição de 14 meses, dividido em duas etapas: Primeiros 60 dias: redução da jornada de 44 para 42 horas semanais, com duas folgas que não precisam ser consecutivas. 12 meses seguintes: redução da jornada para 40 horas semanais. Durante esse período, os salários não poderão ser reduzidos. Segundo Franciele, a aplicação das regras ainda poderá exigir regulamentações e negociações coletivas. A advogada afirma que setores como saúde e serviços essenciais não estão incluídos na mudança. Mudanças em bares e restaurantes Presidente da Abrasel na Região Metropolitana de Campinas, André Mandetta Reprodução/EPTV A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) é contrária à proposta e prevê dificuldades para manter o atendimento com jornadas menores. Segundo o presidente da entidade na Região Metropolitana de Campinas, André Mandetta, os estabelecimentos devem tentar reorganizar as equipes antes de contratar novos funcionários. "No primeiro momento, antes de contratar, a empresa vai tentar se virar com o que tem, remanejar a escala, trabalhar com menos pessoas em cada escala. Isso, obviamente, vai prejudicar o atendimento", afirmou. Mandetta também prevê aumento de custos com contratações e afirma que alguns restaurantes já consideram fechar mais um dia da semana. Comércio teme impacto no Natal Avenida 13 de Maio, em Campinas (SP) Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas O SindiVarejista Campinas também avalia que o prazo de adaptação é curto, principalmente pela proximidade do Natal, principal período de vendas do setor. Segundo o economista da entidade, Jaime Vasconcelos, as empresas precisarão rever escalas, calcular custos e avaliar novas contratações. "Se a PEC for promulgada nos próximos 10 dias, esses efeitos começarão a ser sentidos próximo do Natal, a principal data do varejo", afirmou. Para Vasconcelos, a redução da jornada deve ocorrer de forma gradual, considerando as necessidades de adaptação dos empregadores. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/concursos-e-emprego/noticia/2026/10/15/fim-da-escala-6x1-trabalhadores-comemoram-mais-folgas-mas-comercio-e-restaurantes-temem-impactos-na-regiao-de-campinas.ghtml


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