Do 'presságio' à separação: a queda de avião que mudou a história do Trio Parada Dura, ícone do sertanejo nos anos 1980

  • 29/04/2026
(Foto: Reprodução)
Creone, Barrerito e Mangabinha, formação antiga do Trio Parada Dura Reprodução/Instagram “Trio Parada Dura” é um nome tão consolidado no sertanejo e na cultura popular brasileira que virou uma referência no cotidiano. No dia a dia, é comum usar o nome para falar de um trio de amigos destemidos, autênticos, capazes de enfrentar qualquer desafio – até mesmo uma queda de avião. Foi o que aconteceu em 1982 com Creone, Barrerito e Mangabinha, a formação clássica do grupo. A aeronave caiu em Espírito Santo do Pinhal (SP). Todos saíram vivos, mas Barrerito ficou paraplégico. Creone lembra bem daquele 6 de setembro. Antes do voo, o radialista Zé Béttio até brincou com o piloto: “Cuidado, hein? Vai matar meu trio”. A frase acabou soando como um presságio. 🤠 Esta reportagem faz parte de uma série especial sobre música sertaneja exibida no EPTV 1, celebrando o concurso cultural “ÉPra Cantar”. Nesta edição, o grande vencedor terá a chance de subir ao palco da Festa de Peão de Barretos, o maior rodeio da América Latina. Vídeos em alta no g1 Pouso forçado Naquele dia, o trio saiu de São Paulo rumo a Cruzília (MG). No auge do sucesso, a agenda lotada exigia viagens de avião. Eles decolaram do Campo de Marte sob chuva forte, fizeram uma parada em Campinas para abastecer e seguiram viagem. Chovia tanto que o piloto se perdeu. Ao avistar uma pista em Espírito Santo do Pinhal, decidiu pousar para se localizar. Mas o vento e o tamanho da pista atrapalharam. “Ele foi pousar, não conseguiu. Quando viu que não dava mais, foi arremeter o avião de novo para voltar para a pista e não conseguiu. Foi onde ele falou: ‘Nós temos que descer aqui, em qualquer lugar, agora”, diz Creone, o único integrante da formação clássica que permanece no Trio. O pouso forçado terminou em queda. A experiência foi traumática e todos os ocupantes da aeronave tiveram ferimentos. Creone, por exemplo, quebrou três costelas. “Eu lembro que eu tirei o cinto e abracei o banco do piloto. E pensei: Deus é quem cuida de nós, e seja o que Deus quiser”, lembra. Quando finalmente conseguiram sair da aeronave, descobriram a grave lesão na coluna de Barrerito. “Eu empurrei o banco e falei pra ele: ‘Vamos descer, desce logo’. E ele falou: ‘Eu não sinto nada nas minhas pernas”, lembra Creone. Ele e os demais voltaram para tentar retirá-lo do avião. Barrerito gritava de dor. “Eu acho que tentar tirar ele dali machucou mais ainda. Porque era só uma portinha para tirar um homem daquele tamanho, deitado ali”. Creone, do Trio Parada Dura, relembra queda de avião que mudou história do grupo Pedro Santana/EPTV Separação do trio Barrerito voltou aos palcos após a recuperação e seguiu no Trio Parada Dura até 1987. O jornalista e pesquisador André Piunti, um dos maiores especialistas em música sertaneja no Brasil, explica que a imagem da formação clássica do Trio Parada Dura após o acidente virou algo simbólico. “É algo muito diferente no sertanejo. Dois caras de pé, o rapaz de cadeira de rodas cantando ali no meio. É uma das histórias mais ricas, mais importantes, e também um dos repertórios mais ricos que é regravado até hoje pela galera da nova geração”, diz Piunti. No entanto, cinco anos depois do acidente, Barrerito preferiu seguir carreira solo. “Ele falava para todo mundo que não ia mais viajar com o trio, porque ele não ia aguentar viajar mais de avião e ele não podia impedir que nós fossemos”, diz Creone. A saída de Barrerito abriu espaço para a entrada definitiva do irmão, Parrerito, no trio. Após o acidente, ele já havia assumido o lugar do irmão temporariamente, durante a recuperação. Parrerito morreu em 13 de setembro de 2020, aos 67 anos, vítima de complicações da Covid-19. Já Barrerito morreu em 1998, aos 56 anos, após um ataque cardíaco. Mesmo depois do trauma, seguiu na música e lançou oito discos na carreira solo, com sucessos como "Onde Estão os Meus Passos", "Morto por Dentro" e "Cadeira Amiga”. Nesta última o reflexo do acidente na produção do músico é claro. Barrerito se refere à cadeira de rodas como um “presente que não desejo a ninguém”. Ainda assim, ele nunca deixou a tristeza vencer. “Este cantor magoado ainda vai cantar de pé / A minha voz é força que vem de dentro / E apesar do sofrimento ainda não perdi a fé”. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/e-pra-cantar/noticia/2026/04/29/do-pressagio-a-separacao-a-queda-de-aviao-que-mudou-a-historia-do-trio-parada-dura-icone-do-sertanejo-nos-anos-1980.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 10

top1
1. Sempre

Rodrigo Teaser

top2
2. Bloqueado

Gustavo Lima

top3
3. Temina comigo antes

Gustavo Lima

top4
4. Vontade de Morder

Simone & Simaria, Zé Felipe

top5
5. Molhando o Volante

Jorge e Mateus

top6
6. Vagabundo chora

Guilherme e Bebuto

top7
7. Termina comigo antes

Gustavo Lima

top8
8. Vai Lá Em Casa Hoje

George Henrique e Rodrigo Feat. Marília Mendonça

top9
9. Esqueça-me Se For Capaz

Marília Mendonça & Maiara e Maraisa

top10
10. Ai ce me quebra

César Menotti & Fabiano e Gusttavo Lima


Anunciantes