Com alfabetização abaixo da meta, Campinas anuncia pacote para reforçar ensino municipal

  • 20/02/2026
(Foto: Reprodução)
Campinas tem alfabetização abaixo da meta e Educação anuncia ações para reverter quadro A Secretaria de Educação de Campinas (SP) anunciou, nesta sexta-feira (20), uma série de medidas com a intenção de reforçar o ensino na rede municipal. O principal eixo envolve a estruturação do plano pedagógico e a recomposição da aprendizagem diante da defasagem dos alunos na metrópole, cujo indicador de alfabetização está abaixo da meta. Segundo o Indicador Criança Alfabetizada, do Inep, 41% das crianças na rede municipal de Campinas estão alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental. Na rede estadual, o índice é de 58%. Já no Alfabetiza Juntos SP, de 2025, o percentual de alunos de 7 anos leitores (iniciantes ou fluentes), é de 70% no município, contra 78% da média estadual. "Certamente a gente precisa sair desses 41%. Isso eu não tenho dúvidas. Porque quando a gente fala de 41%, nós estamos falando de menos da metade dos nossos alunos lendo e escrevendo na idade certa. Isso é preciso, sem sombra de dúvida, avançar", enfatiza Patrícia Adolf Lutz, secretária de Educação. Ex-dirigente regional de ensino da região Campinas Oeste, da rede estadual, Patrícia foi nomeada como titular da pasta em outubro de 2025, e tem como uma de suas metas a melhora da educação básica. "A educação sofreu e sofre ainda as consequências desse momento [pandemia]. Os alunos trouxeram grandes consequências. Então, quando a gente olha para a nossa rede municipal, é preciso buscar algumas coisas que foram perdidas, trazer o aluno nessa alfabetização na idade certa, finalizar e trazer formalmente as nossas diretrizes curriculares da rede municipal", afirma. Diagnóstico da rede Questionada sobre as ações para avançar na qualidade do ensino e diminuir a defasagem, acentuada durante o período da pandemia de Covid-19, Patrícia reforçou a importância de formatar e implantar o plano pedagógico como um norte para as ações na rede, além de apostar na formação continuada e em uma análise do atual cenário pelos profissionais que atuam nas salas de aula. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no Whatsapp Não há um modelo estabelecido, mas a secretária afirma que tem estudado soluções para um apoio pedagógico efetivo nas salas de aula, e que tem ouvido os professores para saber o que é necessário para diminuir a defasagem. "Tem até alguns modelos de sucesso. Tenho conhecimento da rede estadual, que é o professor-tutor. A gente está olhando para a nossa rede, ouvindo os nossos professores. Até porque, de repente, também eu acho que é uma baita coisa boa, mas aí o professor fala assim: 'não, não é isso que eu preciso, se você me trouxer isso, é melhor'", pontua. A ideia, explica Patrícia, é que os profissionais analisem, tendo como diretriz a matriz curricular, o que o aluno já deveria saber e o que ele precisa, para, a partir desse diagnóstico, entender o que deve ser feito em cada escola para melhorar o desenvolvimento dos estudantes. Uma das estratégias que podem ser implementadas é a de agrupamentos produtivos, em que, segundo a secretaria, o professor realize grupos de trabalhos com alunos possam avançar na aprendizagem, sem reagrupamentos em outras salas. Isso, no entanto, também passa pela formação dos profissionais e está em análise. Atualmente, a rede municipal de ensino possui cerca de 60 mil estudantes matriculados nos ensinos infantil, fundamental e na educação de jovens e adultos (EJA). Patrícia Adolf Lutz, secretária de Educação de Campinas (SP) Estevão Mamédio/g1 Pacote de medidas O pacote anunciado pela Secretaria de Educação tem oito pontos a serem desenvolvidos na rede a partir de 2026. São eles: Implementação do Pacto Nacional pela Recomposição das Aprendizagens; Participação na edição 2026 do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização; Contratação de consultoria técnica especializada; Plano pedagógico reestruturado, com foco em equidade, a partir de temas sociais; Continuidade das reformas e modernizações das escolas municipais; Criação de espaço inédito para educação ambiental; Compromisso em manter políticas que deram certo; Ampliação do diálogo entre secretaria e profissionais da rede; Um desses pontos envolve a contratação da consultoria da pedagoga Maria Inês Fini, fundadora da Faculdade de Educação da Unicamp e criadora da primeira versão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que terá papel de prestar assessoria na complementação do plano pedagógico. "Ela foi uma grande articuladora e uma grande mentora do currículo do Estado de São Paulo, de uma forma muito participativa. Como nós estamos nessa etapa de formalização do currículo, a gente traz a professora Maria Inês, que já tem essa expertise, e, unindo aquilo que a rede já trabalhou o ano passado, com documentos riquíssimos, traz uma diretriz para a nossa rede municipal", diz Patrícia. Para as diretrizes curriculares da rede municipal para 2026 serão trabalhados três grandes temas: combate a violência contra as mulheres, educação antirracista e meio ambiente. LEIA TAMBÉM Volta às aulas em Campinas terá ações sobre violência contra mulheres, clima e antirracismo na rede municipal; veja o que muda em 2026 #paratodosverem: Em classe, uma professora escreve na lousa. Uma criança é vista sentada na carteira, de costas Estevão Mamédio/g1 Selo e indicadores Outra ação envolve a participação no Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização. Embora os indicadores atuais não indiquem a possibilidade da melhor classificação, a titular da pasta crê na importância de melhora no desempenho desses números não como objetivo final, mas como um atestado da evolução do trabalho. De certa forma, reconhece a titular, avançar na educação básica, com desempenho melhor nos indicadores de avaliação, permite que a cidade tenha acesso a mais recursos na área da educação. Um fator importante para a pasta que concentra a maior fatia do orçamento de Campinas - em 2026, com R$ 2,6 bilhões. "Eu acredito muito que índice é uma consequência. Porque eu não trabalho para o índice, eu não trabalho para o resultado. Eu trabalho para a aprendizagem. Quando você tem um aluno que aprende, a consequência vai ser o índice. Então é importante a gente não falar que a gente quer o índice. Não é o objetivo principal. O objetivo principal é o aluno aprender. E o aluno aprendendo vai gerar consequências. Consequências positivas, que acho que entra aí também a questão de recursos", destaca. Patrícia reforça, no entanto, que o cerne do trabalho continua sendo a aprendizagem do aluno, que é "a essência do educador". "Quando eu faço o meu trabalho de fato, faço com que o meu aluno aprenda, faço com que o meu aluno saiba ler e escrever, faço com que ele se desenvolva de maneira integral, olhando para todas as interfaces que ele precisa para construir, para concretizar o seu projeto de vida, tudo que vem vai ser uma consequência. Uma consequência de números, uma consequência financeira. Mas porque eu acreditei, eu apostei, eu investi na essência que é a aprendizagem", complementa. Reformas Com a entrega da reforma da Escola Municipal Padre Leão Vallerié, no Parque Valença 1, em Campinas (SP), alunos deixam de fazer viagem diária de 50 km para estudar Prefeitura de Campinas O episódio envolvendo a reforma da escola municipal Padre Leão Vallerié, no Parque Valença 1, em que alunos tiveram de viajar cerca de 50 km para estudar, provocou mudanças no entendimento de como a Secretaria de Educação vai proceder com outras obras, consideradas necessárias, na rede. E previstas no pacote de medidas. "É importante que se tenha infraestrutura. Eu costumo comparar com um jardim. Não adianta nada eu plantar numa terra seca. Então, é preciso ter a terra adubada, a terra tratada. O que é essa terra adubada lá no jardim? É a infraestrutura da escola. É uma escola confortável, é uma escola que tenha recursos tecnológicos, é uma escola que tenha recursos didáticos", pontua a secretária. A primeira da unidades em reforma é a EMEF Professora Sylvia Simões Magro, no Jardim Ipaussurama, que chegou a ter transferência dos alunos suspensa após a repercussão envolvendo o caso da Padre Leão, e que está em execução neste ano "Ttudo é aprendizagem mesmo. O que fizemos? Vamos conversar com a comunidade, vamos entender o que pode ser feito próximo. E hoje, nossas crianças, nossos jovens estão lá na FAC Ouro Verde, que é uma distância adequada. A equipe gestora conversou muito com a comunidade, com os pais. As crianças estão sendo transportadas em um tempo razoável, que não se perca a aula", diz. Escola é entregue reformada e alunos deixam de viajar 50 km para estudar em Campinas VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/02/20/com-alfabetizacao-abaixo-da-meta-campinas-anuncia-pacote-para-reforcar-ensino-municipal.ghtml


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